O eclipse solar de 12 de agosto de 2026 — vais vê-lo?
A 12 de agosto de 2026 um eclipse solar total desce do Ártico, atravessa a Gronelândia e o oeste da Islândia e chega ao norte de Espanha. É a primeira totalidade sobre a Europa continental desde 1999 e a primeira sobre a Espanha peninsular desde 1905. Portugal fica de fora da faixa — mas por muito pouco. O que aqui se vê é, muito provavelmente, o eclipse parcial mais profundo que a maior parte de nós vai ver na vida. (Do outro lado do Atlântico não há nada: no Brasil, em São Paulo como no Recife, o eclipse não é visível de todo.)
Portugal não tem totalidade — mas tem quase tudo
De norte a sul o Sol fica quase completamente tapado. Em Bragança o máximo chega às 19:31, com 99,9% do disco solar coberto. Em Braga são 98,8% (19:31), no Porto 98,2% (19:32), em Coimbra 97,1% (19:34), em Lisboa 94,4% (19:36) e em Faro 92,6% (19:39). Todas estas horas são de Portugal continental.
E, ainda assim, não é totalidade. Aquele último décimo em Bragança não é um pormenor: sobra sempre um fio de fotosfera, e um fio de fotosfera continua a ser Sol a descoberto. Não há coroa, não escurece como à noite e em nenhum momento, em nenhum ponto do país, se pode olhar sem filtro. Quem já esteve dentro de uma faixa de totalidade dir-te-á que a diferença entre 99,9% e 100% não é de grau — é de género.
A totalidade fica a uma ou duas horas de carro
A faixa passa logo ali, do outro lado da fronteira, pela Galiza e pelas Astúrias. Da Corunha e de Oviedo vê-se o eclipse total; de Bragança ou de Braga, não. Lá dentro, e só lá dentro, o dia apaga-se e aparece a coroa — no ponto de eclipse máximo, sobre o Atlântico Norte, a fase total dura pouco mais de dois minutos.
Atenção ao relógio, que é onde toda a gente se engana. A Espanha peninsular está uma hora à frente de Portugal continental. A totalidade na Corunha e em Oviedo dá-se às 20:28 hora espanhola, ou seja, às 19:28 no teu relógio se ele estiver na hora de Portugal; em Burgos é às 20:29 espanholas, 19:29 portuguesas. Neste artigo, as horas de cidades portuguesas estão em hora de Portugal continental e as de cidades espanholas em hora de Espanha — conta com isso quando marcares o encontro e quando puseres o despertador.
Também aí o Sol está baixo: 12° acima do horizonte na Corunha, 10° em Oviedo, 8° em Burgos. Também do outro lado da fronteira precisas de horizonte livre a poente — atravessar o país para depois ficar atrás de um monte seria uma pena.
Madeira e Açores
Nas ilhas o eclipse é menos profundo, mas em compensação está mais alto no céu. Na Madeira o máximo é às 19:47 hora local, com 77,4% do Sol tapado e o astro a 13° acima do horizonte. Em Ponta Delgada, nos Açores, o máximo é às 18:38 hora local (a Madeira segue o mesmo relógio do continente; os Açores estão uma hora atrás), com 76,8% — e aí o Sol está a 23°, bem mais alto do que em qualquer ponto do continente. É a vista mais desimpedida do país, ainda que a fatia tapada seja menor.
O que vais ver de onde estás?
É exatamente a pergunta a que a Finsternis responde. Marcas o teu local e a app diz-te o resultado honesto para aquele ponto: se é total ou parcial, que parte do Sol fica coberta e as horas exatas de início, máximo e fim — com o percurso desenhado sobre um globo 3D a sério, pelo qual podes avançar e recuar no tempo e ver a sombra da Lua a atravessar a Terra. Como o ponto de observação se pode colocar em qualquer sítio do mundo, serve tanto para saber o que verás de casa como para decidir para onde vais: põe o ponto na Corunha, lê no ecrã as horas de contacto que te aparecem para lá e planeia a viagem a partir daí. Um mapa à escala do país não distingue 99,9% de totalidade; a tua localização exata distingue.
Um eclipse ao pôr do sol — e como olhar sem estragar a vista
Em Portugal o eclipse acontece com o Sol já muito baixo, na última hora antes de se pôr. Isso torna-o bonito, mas também exigente: precisas do horizonte oeste completamente desimpedido. No momento do máximo o Sol está a 11° em Braga e no Porto, a 10° em Bragança, em Coimbra e em Lisboa, e a apenas 8° em Faro. A essa altura, um prédio, uma colina ou uma fila de árvores a poente tapam-te o eclipse inteiro. Escolhe o sítio com antecedência — de preferência alto e virado ao mar ou a uma planície — e experimenta-o antes, num pôr do sol qualquer.
E o aviso que nunca muda: nunca olhes para o Sol parcialmente eclipsado sem filtros solares certificados segundo a norma ISO 12312-2. Nem com óculos de sol, nem com radiografias, nem pelo visor de uma máquina fotográfica. E aqui está o que mais custa a aceitar: em Portugal os filtros não saem em momento nenhum — nem em Bragança, com 99,9%. Só dentro da faixa de totalidade, e só durante a breve fase em que o disco desaparece por completo, é que se pode olhar a olho nu; mal reaparece o primeiro raio de luz, voltam os filtros. Fora da faixa — e Portugal está todo fora da faixa — o Sol não deixa de ser perigoso em nenhum instante.
E depois, 2027
Se ficares com o bichinho, a continuação é ainda melhor: a 2 de agosto de 2027 a totalidade cruza o sul de Espanha, o norte de África e o Egito — o eclipse total mais longo do século, com mais de seis minutos de escuridão perto de Luxor. Na Finsternis já está calculado, até às tuas horas locais.
A Finsternis está na App Store; a versão para Android está a caminho. Cada previsão é calculada no teu telemóvel a partir de dados de domínio público da NASA — sem conta, sem rastreio, mesmo sem ligação à internet. Mais sobre a Finsternis →